Agência e Audiência: o poder na comunicação

 O que é agência?

Fonte: Google

Fonte: Google

Cooper (2011), em seu ensaio Rhetorical agency as emergentand enacted, defende uma agência de responsabilidade que não é centrada apenas no escritor, mas também na audiência à medida que trabalham em conjunto e se influenciam no processo de construção de sentido. Neste estudo, agência e audiência são fatores determinantes na comunicação; são forças que regulam e estabilizam as práticas comunicativas, principalmente na era tecnológica na qual estamos; era em que as situações de escrita e as possibilidades de ação são variadas e diversas, sendo necessário mais do que nunca, que os usuários das novas mídias tenham consciência da sua posição como agentes transformadores.

Santos Costa ( 2013)

Santos Costa ( 2013)

Segundo Santos Costa ( 2013) agência é um processo de desenvolvimento pessoal interativo entre agente e ambiente que envolve: autoestima, autoconfiança, exigência pessoal, credibilidade, identidade, subjectividade, autonomia, poder, estratégia de autoria, esforço pessoal entre outros. A agência se reconhece na capacidade do sujeito perceber e refletir sobre seu comportamento e o comportamento do outro, planejar e executar ações e modifica-las em respostas às ações percebidas em seu ambiente.

Agência humana e tecnológica

Iremos, aqui, exemplificar o poder da agência, com característica de rastreamento automático  de audiência na estátistica do blog “ Lifelong learning”  do mês de  maio de 2015, da professora Giselda Costa. (https://professoragiseldacosta.wordpress.com/)

Estatística do Blog - Lifelong learning

Estatística do Blog – Lifelong learning

Nessas imagens, podemos observar a estatística do blog, acessados  no dia 30 de maio de 2015. Nessas páginas deste weblog, observamos que o autor/escritor do site tem várias informações da sua audiência, tais como: a quantidade de visitas diárias, o número de páginas cada visitante acessa, quais as páginas mais acessadas, os textos mais lidos, a bandeira, o país, onde moram as pessoas que o visitam, como as pessoas chegam ao seu site, se é através de um mecanismo de busca, de links em outros sites, qual é o sistema operacional e outras informações sobre as máquinas dos visitantes. Sem falar que existe uma caixa de mensagens diretas para o autor.

Estatística do Blog - Lifelong learning

Estatística do Blog – Lifelong learning

No entanto, todos estes fatores e informações sobre sua audiência podem trazer  impacto na estrutura textual. Segundo Dionísio (2009, p,72), “ a ação da audiência não se restringe à de mero espectador. Na verdade, a audiência realiza diferentes ações na construção do texto”. Como, por exemplo, neste contexto do blog, a ação da audiência permite ao autor/escritor uma melhor performance textual no tópico que lhe recebe mais visitas, possibilita a criação de textos regionais, modifica a configuração dos textos “multimídias”, para que sejam melhor exibidos nos computadores de seu público e permite descobrir se a produção textual está surtindo efeitos.

Em vista disso, fica evidente que este processo interativo da atribuição mútua “puxa /empurra” (MILLER, 2010) entre o autor/escritor e sua audiência quase “invisível” é a manifestação da agência humana e tecnológica. Essas agências manifestam-se na capacidade de identificar, gerenciar, organizar e transformar recursos de comunicação. Elas exercem o controle sobre os outros através da utilização de energia e negociam com os outros através da interação dialética (RATNER, 2000).

O poder da agência e audiência na comunicação

Estatística do Blog - Lifelong learning

Estatística do Blog – Lifelong learning

Estas interações ficam mais explícitas quando observamos que os autores/leitores  estão mais visíveis e transparentes, tornam-se mais explicitamente atuantes e presentes. As questões textuais se entrelaçam entre escritores, leitores, tecnologias, culturas e novas formas retóricas. Os leitores não apenas recebem o texto, mas, ao ler, transformam-no em um novo tipo de escritura. Têm possibilidade de interagir em tempo real com o próprio autor. Para Johnson-Eilola (2010), ler não é mais o consumo invisível do texto. Hoje, ler é um desempenho semipúblico. A leitura, mais do que nunca, se tornou um ato transmissível e performativo, ao invés de simplesmente privada e receptiva. Os textos, em movimento, reúnem textos em torno de si, reagindo aos seus ambientes de forma simples e complexa e fazendo interações com seus autores e leitores.

 As estatísticas do blog contêm marcas de agência no que tanto à realização de ações que têm certas consequências transformativas. Certamente, tais agência realizadas pelo homem e pela máquina não devem ser entendidas como equivalentes. Agentes humanos têm finalidades, consciência, intencionalidade, o que as máquinas não têm.

Referências:

COOPER, Marilyn. Rhetorical agency as emergent and enacted. College Composition  and Communication. The National Council of Teachers of English, 2011.

DIONISIO, A.P.A interação em narrativas conversacionais. Recife: Bagaço, 2009.

JOHNSON-EILOLA, J. Among texts. IN: SELBER,S.A. Rherorics and tecnologies: new directions in writing and comunicatiuon. University of South Carolina, pp.33-55, 2010.

MILLER,C. Foreword: rhetoric, technology, and the pushmi-pullyu . IN: SELBER,S.A. Rherorics and tecnologies: new directions in writing and comunicatiuon. University of South Carolina, 2010.

RATNER,C. 2000. Agency and culture. Journal for The Theory of Social Behavior, vol. 30, pp. 413-434. Disponível em:

<http://lchc.ucsd.edu/mca/Paper/00_01/agency.htm>. Acesso em: 10 jun. 2010.

SANTOS COSTA. Mobile Learning: Explorando potencialidades com o uso do celular no ensino – aprendizagem de língua inglesa como língua estrangeira com alunos da escola pública, Tese. Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Federal de Pernambuco, 2013. Disponívelem: <http://www.giseldacosta.com/wordpress/publicacoes/> .

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Este  trabalho é um recorte de minha tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Pernambuco, sob orientação do Prof. Antonio Carlos Xavier e da Profa. Ana Amélia Carvalho ( Universidade de Coimbra- Portugal). Para outras informações sobre o assunto , ver SANTOS COSTA ( 2013) . Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ( CAPES) pelo apoio  recebido durante meu doutorado sanduíche em Portugal.

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