Construindo pensamento crítico através do letramento visual

Pensamento crítico através do letramento visual mediado por tecnologia móvel

img_0711Letramento normalmente significa a capacidade de ler e escrever, mas também pode se referir à capacidade de ler vários tipos de sinais semióticos, como por exemplo, imagens ou gestos. A proliferação de imagens na nossa cultura como em jornais e revistas, na publicidade, televisão ou mesmo na internet, traz muitos elementos que podem ser explorados sob a perspectiva do letramento visual, ou seja, são campos férteis para que os professores se apropriem desse leque de possibilidades para criarem atividades, a fim de que os alunos desenvolvam a capacidade de “ler” imagens como uma habilidade importante no ensino de línguas.

Williams (2007) recomenda que os estudantes tenham mais experiências com letramento visual nas escolas, pois o desenvolvimento de competências visuais aumenta tanto a capacidade de construção de significado quanto de pensamento crítico. Os educadores devem ajudar a melhorar a “desconexão entre os textos que os estudantes lidam em seu contexto escolar e fora da escola” (SERAFINI, 2012, p. 30), no sentido de instrumentalizá-los com as ferramentas de que necessitam para serem bons leitores de textos visuais e multimodais.

img_0639Concordamos que integrar a habilidade visual em sala de aula de línguas é um apoio benéfico para o professor, pois permite que os alunos pensem de forma mais complexa, uma vez que as novas tecnologias levam a novas formas de informação, exigindo, assim, um novo vocabulário e novos métodos de interpretação mais crítica. Pensando em nossa realidade educacional, corroboramos com Spalter e Dam (2008) quando consideram que a prática de visualização é negligenciada em nossas salas de aulas, principalmente nos currículos de ensino de línguas estrangeiras nas escolas, numa época em que o desenvolvimento de cidadãos letrados visualmente é fundamental.

Por um lado, Spalter e Dam (2008) afirmam que os alunos estão envolvidos em um ciclo constante de consumir e produzir mídias visuais, mas eles não são visualmente letrados, pois eles não têm as habilidades para compreender como decifrar uma imagem e tomar decisões éticas sobre a validade e valor da informação. Por outro lado, Sosa (2009) alega que um grande problema no desenvolvimento do letramento visual é que os professores, também, não sabem como avaliar as imagens, porque eles nunca receberam instruções adequadas e pertinentes para esse tipo de atividade, deixando de abrir discussões sobre as mesmas por falta de conhecimento.

Letramento Crítico

img_0631Letramento crítico é uma noção relativamente recente no campo da linguagem e no ensino de língua inglesa. Ele está incluído nas definições mais atuais de letramento e é promovido como um elemento essencial no mundo atual.

No entanto, existem algumas dificuldades na tentativa de desenvolver o letramento crítico em sala de aula, embora não seja difícil encontrar teóricos e discussões político-filosóficas deste conceito. O próprio termo é interpretado de maneiras diferentes e, às vezes, é discutido bem abstratamente. Há também uma série de nomeações semelhantes, tais como: pedagogia crítica, prática crítica, pensamento crítico, educação para a mídia, consciência de linguagem crítica, e, na verdade, nem sempre fica claro como esses termos se relacionam com letramento crítico.

O conceito deste termo ganhou campo de pesquisa durante os anos de 1980 a 1990, mas para muitos professores de língua estrangeira ainda não está claro o que uma abordagem crítica significa na prática. Para alguns, o conceito de letramento crítico deriva principalmente do trabalho de críticos teóricos do discurso e do seu reconhecimento de que a linguagem não é um campo neutro. Para outros, as noções de letramento crítico têm suas origens na Teoria de Gêneros Textuais e nas análises da Linguística Sistêmico Funcional, como uma crença de que o simples conhecimento da linguagem e as diversas opções de texto permitem atingir a coesão social, elemento útil para estudantes de línguas. Ademais, há contingentes de que a teoria de letramento crítico emerge da noção freireana em relação à importância de analisar as relações e campos da ideologia, do poder social, cultural e econômico que envolve tanto quem ensina quanto quem aprende.

Design de  atividades: desenvolvendo o pensamento crítico  

img_0650Apresentaremos uma pequena atividade visual explorando o videoclipe chamado Pretty Hurts (A beleza dói, em tradução livre) com o objetivo de mostrar não só os benefícios de incluir comunicações visuais nas abordagens multimodais para a aprendizagem de línguas, mas também para mostrar algumas estratégias que podem ser aplicadas nas salas de línguas estrangeiras para ensinar os alunos uma forma de codificar e decodificar os artefatos de sua própria cultura.

As análises das respostas dessa atividade não têm por objetivo aprovar ou reprovar, considerar correta ou errada as respostas dos alunos participantes, mas fornecer-lhes feedback sobre seu senso crítico. A aquisição da criticidade é importante nesse tipo de atividade, pois os professores não podem dar a interpretação “correta” de um elemento específico visual, e sim estimular a visão da crítica para que eles possam construir e explanar seus pontos de vista.

Neste estudo, fizemos uso de práticas ‘localizantes’ em nosso fazer pedagógico quanto às atividades de letramento visual crítico com este videoclipe. Usamos tópicos interessantes sobre questões globais que também se aproximam do saber local das realidades dos alunos para ensinar a ouvir, falar, ler, escrever e ver.

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Link da revista: AQUI

SANTOS COSTA, Giselda dos. e SOUSA, Francisca de Fátima Lima  (2016). Construindo pensamento crítico através do letramento visual mediado por tecnologia móvel. Hipertextus Revista Digital (www.hipertextus.net), v.14, Abril 2016. ISSN: 1981-6080.

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