Gêneros Textuais em sala de línguas

Gênero textual

Gêneros  Textuais não são apenas “tipos de texto” com formas fixas, mas são motivados por  fins sociais reais. Priorizando função social sobre a forma textual… e a  função comunicativa é reconhecida socialmente e culturalmente por determinada comunidade.

3Você vê uma pessoa com um pedaço de papel no supermercado. Cada vez que coloca um produto no carrinho, ela risca o papel. Que tipo de gênero é esse? Se você disse  “lista de compras” está certo. Quando você identifica o gênero de um texto, é possível prever várias de suas características, até mesmo antes de ler. A leitura é facilitada porque você sabe exatamente o que  esperar desse tipo de texto.

Que tipo de gênero textual você leu na última semana? Observe a  lista  AQUI para  responder. A partir deste exercício, você pode observar a grande quantidade de leitura que faz todos os dias e perceber a forma intensa com que  esta atividade interfere em sua vida.

Miller (2009) propõe que se veja gênero textual como um constituinte específico e importante da sociedade, um aspecto maior de sua estrutura comunicativa, uma de suas estruturas de poder que as instituições controlam. Podemos entender gênero especificamente como aquele aspecto da comunicação situada que é capaz de reprodução que pode se manifestar em mais de uma situação e mais de um espaço-tempo concreto.

Bazerman (2009) também analisa a perspectiva de gênero textual como ação social, atendo-se às intenções sociais, que recorrem estreitamente aos usuários do gênero, que interpretam, criam situações comunicativas e as respostas a elas, e dali extraem semelhanças significativas e distintivas que tipificam o gênero, constituindo-o em si mesmo com suas características textuais e pelos seus papéis sociais assumidos.

A influência tecnológica na vida do gênero

2Na opinião de Devitt (2004), os gêneros parecem se originar sempre de outros gêneros, cada um ecoa num gênero prévio, nenhum responde a uma situação única. Nenhum se desenvolve num vazio contextual. Os gêneros antecedentes servem como fonte poderosa de restrições a outros gêneros. Cada novo gênero adiciona alguma coisa ao que já existe.

Com o advento da Internet e da tecnologia móvel novos gêneros  emergiram e materializaram-se no meio digital, trazendo novas formas de comunicação. Pode-se dizer que esse processo se dá a partir das demandas sociais, pois um gênero surge ou desaparece em função das condições sóciodiscursivas.

Miller (2009) também sugere que o texto eletrônico materializa-se como um novo gênero, se regula na forma e conteúdo como reflexo de outras regularidades subjacentes, mostrando que as práticas de produção e/ou recepção desse tipo de texto, apresenta regularidades passíveis de ser identificadas e tão logo o gênero se anuncia, deve-se respeitar uma norma.

O Gênero textual em resposta a uma situação social real

generosA escrita é feito para a comunicação, e  quando o escrevemos alcançamos um propósitos sociais (por exemplo, para informar,  para pedir desculpas,  manter a amizade etc.). As pessoas não escrevem para produzir um produto. Nesse sentido, Miller (1984, p. 151)  argumenta que “a definição teoricamente de gênero deve ser centrada não sobre o mérito ou a forma de discurso, mas sobre os propósito  utilizado para realizar uma ação social”.

Veja uma  atividade como objetivo mostrar para vocês que  “gêneros” não são apenas “tipos de texto” com formas fixas, mas são motivados por  fins sociais reais. Priorizando função social sobre a forma textual. Veja  a real relação entre a função social e forma textual.

Na atividade online, você vai escolher um gênero digital que  você utiliza  em resposta a uma  situação social real. Veja AQUI.

Gostaríamos de esclarecer, ainda, que o gênero textual não exclui a tipologia textual tradicional como: narração, descrição, dissertação e argumentação. A tipologia textual ou tipos textuais tradicionais nos ajudam a classificar alguns gêneros. Lembre-se de que os  gêneros textuais são vários e adaptáveis às nossas necessidades comunicacionais, já os tipos textuais são poucos e servem de base para uma infinita variedade de gêneros. Os tipos estão sempre prontos para receberem os gêneros, apresentando características bem definidas, tais como vocabulário próprio, relações lógicas, tempos verbais e construções frasais.

Referências

BAZERMAN, C. Gêneros textuais, tipificação e interação. Judith C. Hoffnagel; Ângela P. Dionísio. (Org.) São Paulo: Cortez, 2009.

DEVITT, Amy.  A History of Genres and Genres in History. In:Writing Genre. Southern Illinois University Press. Carbondale, 2004, p. 88-136.

MILLER, Carolyn. Estudos sobre gênero textual, agência e tecnologia. A. Dionisio e J. Hoffnagel (orgs.). Recife: Universitária da UFPE, 2009.

Miller, Carolyn. Genre as social action. Quarterly Journal of Speech, 70(2): 151-167. 1984.

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