Habilidade metacognitiva através da técnica da pirâmide discursiva

Estimular o Pensamento Crítico & Letramento Visual através da técnica da pirâmide discursiva

Contexto da atividade

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Trata-se da apresentação de uma atividade visual com a utilização da técnica da pirâmide discursiva a partir da exploração do videoclipe chamado Pretty Hurts (A beleza dolorida, em tradução livre). Essa atividade teve como objetivo mostrar não só os benefícios de incluir comunicações visuais nas abordagens multimodais para a aprendizagem de línguas, mas também algumas estratégias que podem ser aplicadas nas salas de língua estrangeira para ensinar aos alunos uma forma de codificar e decodificar os artefatos de sua própria cultura com ajuda da tecnologia móvel.

Pretty Hurts é uma canção da cantora norte-americana Beyoncé que aborda um problema bastante enfrentado pelas mulheres nos dias atuais: a pressão por se manterem sempre nos padrões de beleza imposta pela mídia, tornando-se reféns dos produtos e serviços que divulgam. Para representar esse problema social, o vídeo tem seu enredo num concurso de beleza onde todas as garotas buscam, por diversos modos, ganhar a premiação. Bulimia, abuso das drogas e uso indiscriminado de métodos cirúrgicos são cada vez mais constantes nesse duro sacrifício pelo prazer puramente material e estético.

Técnica da pirâmide discursiva ou bola de neve ( Snowball groups/pyramids)

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A  Pirâmide discursiva é  uma técnica baseada na troca de ideias ou soluções. É uma atividade oral que envolve os alunos na resolução de problemas em pequenos grupos. Ela estimula a prática de  atos argumentativos em confrontos com ideias e opiniões. Este método envolve a duplicação progressiva: os alunos primeiro trabalham sozinhos, em seguida, em pares, depois em grupos de quatro, e assim por diante. Na maioria dos casos, depois de trabalhar em grupos de quatro, os alunos se reúnem para uma sessão plenária na qual suas conclusões ou soluções são reunidas ou apresentadas. Jordan (1990) fornece alguns passos para aplicabilidade desta técnica em sala de aula:

1-O professor produz alguma atividade problema.

2-O professor pede ao alunos individualmente para respondê-la.

3-O professor divide os alunos em pares e, em seguida, eles discutem seus argumentos e pontos de vista até entrarem em consenso .

4-O professor divide os alunos em grupos de quatro e pede que eles comparem suas respostas e discutam novamente até chegarem a um acordo.

5-O professor pede para cada grupo apresentar as respostas da atividade em curso.

6-Professor dá seu feedback para evitar mal-entendidos.

 A técnica  pode simplesmente ser usada para compartilhar ideias sobre um tópico, ou os estudantes  serem obrigados a  chegar a um consenso cada vez que  formarem um novo grupo.

Pensamento Crítico & Letramento Visual em sala de línguas

Tuzlukova, V et all. (2017) afirmam que professores de línguas têm o dever de proporcionar aos alunos uma oportunidade para desenvolver habilidades de pensamento crítico. Essas habilidades devem, então, tornar-se um hábito sempre que eles leem, escrevem, falam ou ouvem a língua

Crocker & Bowden (2011) acreditam que os professores de línguas podem promover o pensamento crítico de seus alunos criando estratégias de aprendizagem que os levem a desenvolver a consciência metacognitiva. Além disso, os professores podem encorajar estudantes a descrever e compartilhar sua própria aprendizagem. Stoller (1997) acredita que a abordagem de ensino de linguagem baseada em conteúdo é uma maneira eficaz de ensinar essa habilidade, devido às estreitas conexões entre a linguagem oral e escrita e o pensamento. Ademais, o conteúdo em sala de aula tem “o potencial de motivação do pensamento crítico, uma vez que os alunos estão focados no assunto que é importante para as suas vidas” (Brown, 2007, p.56).

Williams (2007) recomenda que os estudantes tenham mais experiências com letramento visual na escola, pois o desenvolvimento de competências visuais aumenta tanto a capacidades de construção de significado quanto de pensamento crítico. Os educadores devem ajudar melhorar a “desconexão entre os textos que os estudantes têm em seu contexto  dentro e fora da escola, para disponibilizar aos alunos as ferramentas de que necessitam para serem bons leitores de textos visuais.

A crítica, neste trabalho, passa a ser vista como uma análise, procurando descobrir os interesses sociais e políticos na produção e recepção das imagens em relação aos efeitos sociais, culturais, de poder e dominação no contexto de vida real dos alunos.

Mas como podem os professores ajudar os alunos a desenvolver o pensamento crítico usando o letramento visual?

Utilizando a técnica da pirâmide discursiva

1-Os alunos assistiram o videoclipe  usando  os celulares do projeto “ Laboratório Móvel”

Link do projeto: https://goo.gl/cppQZM

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Figura 1. Alunos assistindo o videoclipe

2.A professora distribuiu uma atividade crítica visual impressa, mas essa atividade também está disponível em: https://goo.gl/pii1qW

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Figura 2. Alunos respondendo individualmente a atividade

3.O professor reuniu a sala em pares para discutir as respostas. Depois que cada aluno teve a oportunidade de partilhar as suas ideias, a dupla se juntou a outro par, criando um grupo de quatro.

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Figura 3. Alunos discutindo seus argumentos ( dupla)

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Figura 4. Alunos discutindo seus argumentos (Quádruplo)

5. Cada grupo apresentou suas respostas. No final da técnica, a classe ficou unida em uma grande discussão.

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 Figura 5. Alunos apresentando suas respostas 

Conclusão

O videoclipe é um exemplo de multimodalidade. É um texto em que o significado é construído a partir da combinação de vários sistemas de signos e as imagens são uma ferramenta valiosa, que tem o potencial de estimular e aumentar a formação de um leitor reflexivo e crítico. O designer cria estruturas de uma história imagética, através da qual ele expressa ações, eventos, pensamentos, emoções, sentimentos, estilo de vida, humor e valores. Muitas dessas histórias, no vídeo, aparentemente simples, fazem conexão com problemas culturais, políticos e sociais da nossa realidade. Além disso, os leitores podem aprender como textos servem como artefatos sociais, críticos e que nunca são neutros de ideologia.

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A técnica da pirâmide discursiva  promoveu o envolvimento dos alunos e ajudou a desenvolver a sua capacidade de expor as suas  ideias. Não só os alunos aprendem a participar, mas também  tornam-se conscientes de que suas ideias estão fazendo parte  de um grupo. É uma forma de expandir a variedade de concepções: a cada vez que o grupo se expande, uma nova ideia é avaliada, melhorando a qualidade do resultado global.

A fim de preparar os alunos para participarem ativamente num mundo socialmente diversificado, localizado, globalizado e tecnológico, os professores precisam encontrar novas formas de ensino e aprendizagem, proporcionando oportunidades para que eles explorem, conheçam e se envolvam criticamente com uma ampla variedade de textos e diferentes práticas de letramento.

Neste estudo, mostramos que os professores não devem ser apenas usuários de tecnologia, mas devem potencializá-la, através de seus designs instrucionais sempre fazendo ligações com a vida cotidiana dos alunos.

 Referências Bibliográficas

Brown, H. (2007). Teaching by principles, an interactive approach to language pedagogy. New York: Pearson Education Inc.

Crocker, J. L., & Bowden, M. R. (2011). Thinking in English: A content-based approach. In A. Stewart (Ed.), JALT2010 Conference Proceedings. Tokyo: JALT.

 Jordan, R.R.(1990). ELT. Journal: Pyramid Discussions. Volume 44, Oxford: Oxford University Press.

Tuzlukova, V., Al Busaidi, S. and Burns, S. L. (2017) Critical thinking in the Language Classroom:         Teacher Beliefs.  Pertanika J. Soc. Sci. & Hum. 25 (2): 615 – 634.

Stoller, F.L. (1997). Project work: A means to promote language content. Forum, 35(4).

 Williams, T. L. (2007). Reading the painting: Exploring visual literacy in the primary grades.The Reading Teacher, 60, 636-642.

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