Letramento crítico visual no ensino de línguas

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Letramento crítico é uma noção relativamente recente no campo da linguagem e do ensino de línguas. Ele está incluído nas definições mais atuais de letramento e é promovido como um elemento essencial no mundo atual.

O conceito de letramento crítico ganhou campo de pesquisa durante os anos 1980 e 1990, mas, para muitos professores de língua estrangeira, ainda não está claro o que uma abordagem crítica significa na prática. Para alguns professores, o conceito de letramento crítico deriva principalmente do trabalho de críticos teóricos do discurso e do seu reconhecimento de que a linguagem não é um campo neutro. Para outros, noções de letramento crítico têm suas origens na Teoria de gêneros textuais e nas análises da Linguística Sistêmico Funcional, como uma crença de que o simples conhecimento da linguageme as diversas opções de texto permite atingirmos a coesão social, elemento útil para estudantes de línguas. Para outros ainda, a teoria de letramento crítico emerge da noção freireana em relação à importância de analisar as relações e campos da ideologia, do poder social, cultural e econômico que envolvem tanto que ensina quanto quem aprende.

Observamos em nossas leituras que o objetivo do letramento crítico, em qualquer um destes três conceitos acima, é aumentar a consciência crítica social dos alunos. De acordo com Freire (2003), a partir do momento em que os alunos se tornam mais conscientes e críticos, tornam-se mais inclinados a lutar contra os sistemas opressivos em seu mundo e têm o poder de mudar sua realidade. O lugar mais lógico para que os alunos encontrem os sistemas sociais, políticos e históricos que dominam o mundo é a sala de aula. Ao envolver os alunos em textos e diálogos que aguçam sua consciência crítica, Freire (2003) acreditava que os alunos não só se tornariam criticamente informados, mas também eticamente comprometidos a transformar a sociedade. Para Freire, o letramento crítico é principalmente a leitura do mundo.

Letramento crítico visual: uma nova  habilidade linguística

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Os educadores de letramentos visuais como: Messaris (1994), Hodge e Kress (1988) Kress e van Leeuwen (1996), e outros, e organizações como a Associação Internacional de Letramento Visual americana estão entre aqueles que têm enfatizado a centralidade cada vez maior do visual na paisagem contemporânea de comunicações e no ensino. Eles mostraram como as imagens visuais de todos os tipos são cada vez mais utilizadas para representar significados, ideias e sentimentos, muitas vezes em combinações complexas e orquestradas com palavras, sons e movimentos.

Segundo Associação Internacional de Letramento Visual (IVLA), uma das funções mais importantes de ensino é ajudar o aluno a aprender a interpretar textos, refletir sobre o significado textual a partir de suas próprias perspectivas e avaliar os textos. Isto significa instrumentalizar o aprendiz a usar o pensamento crítico para identificar elementos de textos particulares, como a lógica, apelo emocional e propósito para o qual ele foi produzido. Quando os alunos interpretam e avaliam textos, eles exploram os próprios sentimentos, valores e as respostas para as ideias apresentadas. Assim, fazem de suas próprias respostas aos textos uma parte integrante da sua experiência de leitura cultural e de vida de um modo geral.

Letramento crítico visual em nosso contexto educativo

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No que tange à nossa realidade educacional, percebemos que a prática de visualização é negligenciada na sala de aula, principalmente nos currículos de ensino de línguas estrangeiras. Grande parte dos professores não sabem como avaliar as imagens, porque eles nunca receberam nenhuma instrução adequada para essa atividade. Segundo Sosa (2009), as imagens podem ser ferramentas poderosas, mas os professores muitas vezes se esquecem de explicar e discuti-las com seus alunos por falta de conhecimento. O letramento visual crítico tem sido negligenciado nos currículos das escolas, numa época em que o desenvolvimento de cidadãos letrados visualmente é fundamental.

Assim, concordamos que integrar a habilidade visual em sala de aula de línguas é um apoio benéfico para o professor, pois permite que os alunos pensem de forma mais complexa, uma vez que as novas tecnologias levam a novas formas de informações, exigindo assim um novo vocabulário e novos métodos de interpretação mais críticos.

A consciência linguística deve incluir não apenas o foco nos aspectos formais da língua, mas também o desenvolvimento da consciência crítica da linguagem que engloba e explora as relações entre língua e poder. Kress (1999) aponta que estudos de letramento devem atender aos efeitos do poder sobre os textos, como os textos codificam relações sociais entre autores e audiência. Segundo Freire (2007), gerar novos conhecimentos, criar literatura e atuar em realidades sociais são componentes importantes do letramento crítico.

O desenvolvimento da consciência crítica é, sem dúvida, a experiência mais pessoal significativa no processo de capacitação pessoal. É o processo por meio do qual as pessoas adquirem a compreensão cada vez maior das condições culturais, sociais que moldam suas vidas, e da extensão da sua capacidade para modificar essas condições. A pessoa vive não só no presente, mas no que está na história, e não é só capaz de ler palavras, mas de interpretá-las, portanto, uma consciência crítica é essencial e básica para todo o aprendizado humano (FREIRE, 2007).

Referências:

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 35 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
FREIRE,P. Pedagogia do oprimido. 24 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.
KRESS, G. English at crossroads: Rethinking curricula of communication in the context of the turn to the visual. In G. E. Hawisher, & C. Selfe (Eds.), Passions, pedagogies, and 21st century technologies. Logan: Utah State University Press, 1999.
SOSA, T. Visual literacy: The missing piece of your technology integration course. Tech Trends: Linking Research and Practice to Improve Learning, 2009. pp 55-58.
MESSARIS, P.Visual literacy: Image, mind, and reality. San Francisco, CA: Westview Press, 1994.
HODGE,R.,; KRESS, G. Social semiotics. Oxford, England: Polity Press, 1988.
KRESS,G,;VANLEEUWEN, T. Reading images: the grammar of visual design. London, England: Routledge, 1996.

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Este  trabalho é um recorte de minha tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Pernambuco, sob orientação do Prof. Antonio Carlos Xavier e da Profa. Ana Amélia Carvalho      ( Universidade de Coimbra- Portugal). Para outras informações sobre o assunto , ver SANTOS COSTA ( 2013). Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior    ( CAPES) pelo apoio  recebido durante meu doutorado sanduiche em Portugal.

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