Língua & cultura: internacionalização em casa?

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Língua e Cultura: Precisamos de uma internacionalização em casa?

Internacionalização em casa compreende atividades que ajudam os alunos a desenvolver a compreensão internacional e habilidades interculturais.

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Nossa pesquisa fornece conhecimento de algumas experiências e percepções de sete estudantes de intercâmbio do programa Ciência sem Fronteiras do IFPI. Os resultados revelaram que os estudantes enfrentaram problemas sérios relacionadas à adaptação sociocultural, como: compreensão, interpretação, linguagem corporal, tradução e produção. Os alunos perceberam também que para usar o idioma devem estar conscientes das normas culturais para a conversação, pois elas diferem de uma cultura para outra.

Algumas delas podem ser completamente diferentes e entrar em conflito com normas de outras culturas. Os participantes responderam que o maior desafio comunicacional foi a adaptação sociocultural no intercâmbio. Eles enfatizaram que muitos mal-entendidos poderiam ser evitados com a conscientização cultural em sala de línguas antes da viagem dos alunos para intercâmbio.

Língua e Cultura: Adaptação sociocultural

lingua-e-cultura-4O ensino de línguas já não pode ser encarado como uma tarefa principalmente linguística, ou seja, enfatizar apenas a prática das estruturas, pronúncia e vocabulário. Para se tornar um falante competente de uma língua, os alunos precisam adquirir também as competências socioculturais necessárias para serem capazes de se comunicarem com sucesso em situações de contato internacional. Baseados nos dados do questionário, verificamos que 100% dos alunos consideraram importante saber de algumas regras culturais na sala de

línguas antes da viagem, como alguns participantes ressaltaram:

Uma vez que o objetivo do curso de inglês seja viajar para outro país, informações relacionadas a regras culturais além de tornar o ensino mais interessante, pode poupar o estudante de constrangimentos. (Participante 5)

Quando perguntamos aos participantes se a comunicação não verbal (gestos, expressão facial e tom da fala) é importante e se deveria ser ensinada em sala de línguas, os sete envolvidos na pesquisa confirmaram positivamente, como podemos ver nos excertos abaixo:

Os gestos e os tons da fala são importantes pois ajudam na comunicação. Eu tive momentos de constrangimentos por não ter consciência que esse tipo de comunicação é, talvez, mais importante que falar fluente. (Participante 4)

Os participantes foram questionados sobre os gestos presenciais, ofensivos e agressivos que o Brasil tem sentidos diferentes; a maioria dos alunos (80%) afirmaram positivamente, o que foi possível observar nos depoimentos:

Mesmo sabendo que falo muito bem inglês, um dia perguntei uma informação a um guarda na estação de metrô em Nova York. Ele ficou ofendido e me chamou de mal educado, pois eu não o tinha cumprimentado com boa noite, não tinha perguntado se ele poderia dar informação e terceiro, eu falei muito próximo a ele. (Participante 6).

Os depoimentos dos participantes são exemplos de que a fala é muito influenciada pela cultura. A capacidade de falar não é uma questão apenas relacionada com a pronúncia ou entonação. Os alunos precisam usar frases adequadas em um contexto apropriado. Caso contrário, mesmo sendo bem treinados no aspecto linguístico, eles cometeram mal-entendidos por falta de conhecimento cultural.

Língua e Cultura: Resultado da pesquisa

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Os resultados do estudo sugerem que ensinar cultura é significativamente benéfico em termos de habilidades linguísticas, conscientização cultural, mudanças de atitudes em relação aos comportamentos e crenças das pessoas de outra comunidade. Os participantes deste estudo enfatizaram alguns tipos de constrangimentos em suas experiências de intercâmbio universitários e entenderam que adquirir uma nova linguagem significa muito mais do que a manipulação de sintaxe e léxico.

Devido à inseparabilidade da linguagem e da cultura, acreditamos que seja necessário incorporar a cultura no processo de ensino de línguas, uma vez que, como ilustra este estudo, tem muito a oferecer ao desenvolvimento da competência comunicativa, bem como outras habilidades na instrução de qualquer língua.

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Brown (2001) afirma que uma língua é parte de uma cultura e uma cultura é parte de uma língua; os dois estão intrincadamente entrelaçados, de modo que não se pode separá-los. Assim, um falante interculturalmente competente de uma língua estrangeira possui tanto competência comunicativa nessa língua como habilidades específicas, atitudes, valores e conhecimento sobre a cultura.

Segundo Byram (1997), quando as competências linguísticas e as interculturais são trabalhadas em sala de línguas, os alunos tornam-se preparados para a participação em um mundo global

Veja AQUI o artigo completo publicado na Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 13, n. esp1, p. 381-393, maio 2018.

Língua e cultura no ensino de inglês como língua estrangeira: uma experiência sociocultural de alguns estudantes de intercâmbio do Instituto Federal do Piauí.

Autora da Pesquisa:

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Professora Giselda Costa (IFPI)

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