Mobile learning: um processo rizomático

Em 2000, Viteli, da universidade da Tampere – Finlândia fechou seu artigo intitulado“Finnish Future: From eLearning to mLearning?” com a seguinte afirmação: “O conceito de m-learning é ainda muito desconhecido” (p.7). Em 15 de setembro de 2000, o Google pontua 40 links para m-learning e 29.900 para e-learning”. Em 07 de julho de 2014, pesquisando no Google, encontramos para e-learning 252.000.000 e para m-learning 231.000.000 links aproximadamente.

Mobile learning: um processo rizomático

Após este crescimento do uso deste termo, um questionamento que se observa na literatura é se m-learning é apenas uma extensão do e-learning, ou se é uma modalidade educativa diferente. Para nós, parece-nos o m-learning uma modalidade educacional ainda complementar na aprendizagem. Ele se refere a uma modalidade de ensino contextual que favorece novos tipos de aprendizagem, proveniente da convergência da interação sociocultural dos indivíduos e dos aspectos de usabilidade dos dispositivos móveis que permitem um fluxo de micro conteúdos, possibilitando uma aprendizagem continuada, ou seja, sem emendas entre os episódios de aprendizagem formal, não-formal e informal. No quadro 1, mostramos os conceitos destes três termos, segundo estudos da UNESCO (2012):

 

Tabela 1- Tipos de aprendizagem

 

Aprendizagem Descrição
Formal É a aprendizagem que decorre em instituições de ensino e de formação, é reconhecida por autoridades nacionais e conduz a diplomas e qualificações. A aprendizagem formal é estruturada de acordo com a organização educacional, tais como currículos, qualificações e exigências de ensino-aprendizagem.
Não-formal É a aprendizagem mais flexível adquirida em adição ou em alternativa com a aprendizagem formal. Ela geralmente ocorre fora da sala de aula, mas está sempre ligada a ações intencionais com assistência do professor e o currículo organizado.
Informal É a aprendizagem que ocorre na vida diária, na família, no trabalho, nas comunidades e através de interesses e atividades dos indivíduos. Em alguns casos, a aprendizagem experiencial é um termo usado para se referir à aprendizagem informal que se concentra em aprender com a experiência.

Fonte: Traduzido dos estudos – UNESCO guidelines (2012)

Mobile learning: um processo rizomático

Para nosso estudo, essa noção de tipos de aprendizagens nos invoca a metáfora biológica de um rizoma, em que o caule de uma planta cria raízes e rebentos, cada um dos quais pode tornar-se uma planta nova (Figura 1). Rizomas não têm começo nem fim distintos,crescem e se espalham de uma forma nômade, como o processo de aprendizagem. Hoje, a aprendizagem rizomática tornou-se mais disponível devido aos avanços das tecnologias móveis.

A aprendizagem com a tecnologia móvel pode ser vista como um exemplo de aprendizagem rizomática. Em outras palavras, o aprendiz pode até estabelecer o começo de sua aprendizagem, mas não será capaz de identificar seu fim. O valor na ideia do rizoma em mobile learning, para nós, é a maneira em que se coloca a imprevisibilidade, a conexão e aflexibilidade das aprendizagens, pois aprender é um processo casual, dinâmico, sem limites,imprevisível, adaptável e não linear. Mobile learning não tem só um caminho. Existem dezenas de maneiras de usar dispositivos móveis para apoiar os alunos e no controle de sua própria aprendizagem.

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Figura 1–Exemplo de um rizoma na biologia

O conceito de rizoma como metáfora para pensar foi desenvolvido por Gilles Deleuze,um filósofo francês e Felix Guattari, um psiquiatra francês e ativista político. Este conceito foi desenvolvido em seu livro Mil Platôs, que foi publicado em 1980. Este livro foi concebido como experiência em esquizofrênico e pensamento nômade, mas chamou a atenção de alguns educadores, que veem o rizoma como uma metáfora útil que serve para descrever a complexidade da aprendizagem, principalmente em ambientes tecnológicos. Dessa forma, a aprendizagem rizomática é uma metáfora de como aprendemos. Segundo Sanford a al.(2011), o processo rizomático refere-se à interconexão de ideias e de exploração sem limitesde vários modelos educacionais e tecnológicos, considerando que todas as tecnologias têm suas próprias qualidades que podem ser difícil de modificar ou ignorar. Isto evoca em nós aideia de mistura de aprendizagens, ou seja, formal, não-formal e informal.

Muitos pesquisadores não concordam com a ideia de definir os modos de aprendizagem baseados em ambientes físicos (na escola ou fora dela). Barron (2006) pontuou que, independentemente dos lugares físicos, a aprendizagem formal pode acontecer fora dasala de aula. Portanto, neste trabalho, visualizamos diferentes tipos de aprendizagem baseadaem dois fatores: ambiente físico e intencionalidade. Aprendizagem formal e não-formal são aprendizagens intencionais, e aprendizagem informal refere-se à não intencionalidade; é impulsionada principalmente pelo interesse e iniciativa dos alunos. Assim, a aprendizagem,cada vez mais, na investigação no campo do m-learning, ocorreu em ambientes informais, cuja importância dos contextos tornou-se primordial as potencialidades tecnológicas.

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Mobile learning at school

A concepção de m-learning responde a essa expectativa de aprendizagem informal que se deve ao fato de que as tecnologias móveis, principalmente os celulares, estão entrelaçadas com a vida cotidiana das pessoas e permitem a cessar uma aprendizagem muito mais espontânea, movida por uma necessidade imediata de informações. Nesse sentido, a mídia móvel, como uma ferramenta de aprendizagem informal, tem um impacto sobre a nossa compreensão da aprendizagem, uma vez que seu contexto educativo envolve práticas de vida real e experiência autêntica com seus próprios dispositivos.

Referências:

DELEUZE, G.; GUATTARI, F.A Thousand plateaus capitalism and Sshizophrenia. London: Continuum, 1980.

UNESCO.Policy guidelines for mobile learning.2012. Disponível em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0021/002196/219641e.pdf

SANFORD et al. There’s no fixed course: rhizomatic learning communities in adolescent
videogaming, loading.2011. Disponível em:
http://journals.sfu.ca/loading/index.php/loading/article/view/93

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Este trabalho é um recorte de minha tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Pernambuco, sob orientação do Prof. Antonio Carlos Xavier e da Profa. Ana Amélia Carvalho (Universidade de Coimbra- Portugal). Para outras informações sobre o assunto , ver SANTOS COSTA ( 2013). Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ( CAPES) pelo apoio recebido durante meu doutorado sanduiche em Portugal.

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