Podcasting: atividades à luz das reflexões linguísticas

Podcasting é uma ferramenta com  grande potencial pedagógico

12Podcasting é uma ferramenta que apresenta grande potencial pedagógico, porém o cerne da questão é como aplicar essa tecnologia ao ensino de língua? Cyranka et al. (2006) ressaltam que precisamos fazer uma reflexão linguística. Pouca atenção tem sido dada a ela. Ou esta reflexão é trabalhada de forma conteudista e tradicional (classificatória) ou é inexistente. Eles constatam, nos seus estudos, que os professores e muitos materiais didáticos não lidam com este tema de forma realmente significativa.

Com esse propósito de ensinar a usar a ferramenta em contextos educacionais para professores de línguas (materna / estrangeiras), a autora descreve três exemplos de atividades à luz de teorias linguísticas e em função da usabilidade e da finalidade do texto. O nosso objetivo não é descrever elementos textuais, mas explicar como os gêneros respondem a diferentes exigências retóricas enfatizando o contexto e uso, e fazendo com que os professores percebam o funcionamento da língua.

 Podcasting: atividades à luz das reflexões linguísticas

01- O professor pode fazer seu banco de dados dependendo dos seus objetivos educacionais. Nos sites da web destinados aos podcasts. Encontramos os podcasting em tópicos ou categorias assim exemplificados: artes, esporte, negócios, educação, comédia, culinária, família, ficção, saúde, entretenimentos, crianças, dinheiro, filmes, novelas, internet, musicas, noticiários, política, rádios, religião, ciência, sexualidade, estórias, viagens, vídeos entre outros.

2- Organize a turma em pequenos grupos. Peça para os alunos trazer seus celulares para classe. Não é necessário que todos os estudantes tragam o telefone, pelo menos um em cada grupo.

3- Em sala de aula, os podcastings podem ser transferidos de celular para celular ou de laptop para celular com a ajuda do sistema bluetooth  e/ ou leitor de MP3.

4- Como o celular é proibido em muitas escolas, é importante enviar uma carta ao director explicando as regras do jogo educacional e os objetivos da atividade.

 1-Atividade

3Objetivo: mostrar que o conhecimento linguístico da língua materna que o aluno traz para a sala de aula de língua estrangeira não deve ser ignorado. Ele se torna parte do desenvolvimento cognitivo.

Nesta atividade usaremos dez tipos de gêneros na língua inglesa, tais como: sermão, culto, aula, receita de bolo, propaganda, entrevista, horóscopo, previsão do tempo e noticiários jornalísticos. Em pares, peça à turma que ouça(observe) os diferentes gêneros e depois respondam as perguntas baixo:

a- A que gênero textual pertencem os textos ouvidos?

b- Quais são os elementos do texto que fazem você chegar a essa conclusão?

c- Quais desses gêneros você usa com mais freqüência?

d- E com que propósito você usa?

e- Classifique as concepções discursivas dos gêneros indicados. (oral ou escrito).

 2- Atividade

00Objetivo: Observar as diversidades ou identidades de uma comunidade discursiva, como também as implicações pragmáticas do princípio de cooperação, que tentam explicar frases e enunciados nos quais o locutor parece querer dizer mais do que realmente diz.

O professor faz uma listagem de palavras e expressões diferentes de uma determinada variante linguística do país, como por exemplo o paraibano (no Brasil), depois escolhe algumas entrevistas com pessoas deste local geográfico, falando de assuntos diversos. Cada aluno após ouvir os podcasting responderá:

1- Quais as expressões linguísticas ouvidas na fala dos entrevistados que pertencem à região estudada?

2- Retire e explique os significados das implicaturas das entrevistas.

3- Observe nas entrevistas se há enunciados como “mmm” ‘ah’ ou ‘uh’, ao invés de enunciados completos. Explique o significado destes enunciados nos seus contextos.

3- Atividade

2Objetivo: Identificar elementos do discurso, como: quem está falando, para quem e com quais intenções; atentar para aspectos ideológicos que há por trás das falas dos interlocutores.

O professor escolherá reportagens jornalísticas de três versões de uma mesma notícia, veiculada no mesmo dia. Na etapa seguinte partirá para a discussão dos textos, visando à explicitação dos conteúdos informacionais. Em seguida, pedirá à turma que caracterize cada texto. Serão exploradas questões relativas a vocabulário, como grau de formalidade, uso de gírias e marcas de inferência . Para isso serão utilizadas as seguintes questões:

  1. Quais as diferenças e semelhanças existentes entre os textos?
  2. O que cada notícia informa sobre o fato ocorrido?
  3. Para quem os textos são dirigidos?
  4. Com que propósitos?

5.Qual das versões mais o agradou? Diga o motivo da escolha.

Avaliação:

Ajudar os alunos a refletir sobre:

  1. Pensar sobre o propósito e audiência quando escolhemos e criamos um texto;
  2. Demonstrar que alguma situação pode utilizar uma variedade de tipos de textos;
  3. Entender que modelos de comunicação requerem diferentes tipos de textos ou diferentes gêneros.

Durante a discussão:

  1. a) Determine um tempo limite;
  2. b) Estabeleça uma regra clara de todas as ideias que são aceitas sem críticas;
  3. c) Forneça aos estudantes feedback sobre pontos de vista.

Considerações finais

4Quando decidimos usar o recurso podcasting como suporte nas atividades sugeridas, nossa pretensão foi contribuir para a dinamização do ensino de gêneros na utilização de textos  sonoro-digitais, por achar que a ferramenta é de fácil utilização pelos professores, pois não necessita de grandes conhecimentos informáticos e possui grande variedade e tipos de servidores que o disponibilizam de forma gratuita através da Internet. A nossa intenção, também, foi incentivar uma formação/reflexão linguística mais eficiente e apresentar a utilização de dispositivos móveis que facilitam o acesso à informação em programas de ensino.

As atividades têm objetivos de mostrar que a aprendizagem da língua deve estar ligada às competências básicas (ouvir, falar, ler e escrever), voltada às diversas funções e usos da língua (informar, persuadir, dizer, expressar sentimentos e estado de espírito, perguntar, participar de discussões, etc) e ter em conta as consequências sociais variantes da língua, que estão ligadas a fatores geográficos, situações individuais, locais e ambientais. A escola não pode ignorar as variantes linguísticas com as suas diversas expressões idiomáticas, como também não devem ser negligenciadas as diferenças entre as linguagens coloquial e culta, a fim de garantir que os alunos percebam que a língua não é um sistema rígido e que é determinada pelo gênero em que o falante se insere, ou seja, temos várias maneiras de expressar dependendo da situação.

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Referências:

CYRANKA at al. Variação, gramática, oralidade: contribuições da lingüística para a prática do professor de português. In: Formação de professores no mundo contemporâneo: desafios, experiências e perspectivas. Juiz de Fora, Editora UFJF. 2006.

QUEIROZ, S. Oralidade no ensino: sugestões de atividades. Belo Horizonte. 2004. disponível em
<http://www.letras.ufmg.br/site/publicacoes/download/oralidadenoensino-site.pdf>Acesso em: 20 jun.2009.

Ver texto completo em: SANTOS COSTA, G. Podcast: um gênero ou suporte? emergente ou híbrido? Oral ou escrito?

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