UNESCO: integração do celular à educação

celular na educação

Fonte:Google

Mobile learning ou m-learning tem sido definido de forma diferente em diferentes estudos, o que indica que ainda está em fase inicial e que tem muito a evoluir ainda. Nesta fase, as definições dos pesquisadores apresentam perspectivas diferentes e não há consenso entre elas. Por exemplo, Segundo Santos Costa (2013), m-learning não é uma tecnologia, mas a tecnologia ajuda o m-learning acontecer. É uma modalidade de ensino contextual que favorece novos tipos de comportamentos resultantes da interação sociocultural dos indivíduos e da convergência dos aspectos de usabilidade dos dispositivos móveis que permitem um fluxo de microconteúdos, possibilitando uma real aprendizagem continuada, ou seja, sem emendas entre os episódios de aprendizagem formal, não-formal e informal.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciências e a Cultura – UNESCO – realizou de 12 a 16 de dezembro de 2011 sua primeira semana sobre o potencial pedagógico da aprendizagem móvel (Mobile Learning Week – MLW). O encontro, que foi organizado em parceria com a Nokia, em Paris, teve o objetivo de discutir como os dispositivos móveis e o telefone celular em particular poderiam ser usados para ajudar a alcançar o maior número de pessoas. Com o evento, buscava-se expor e compartilhar os mais recentes desenvolvimentos do celular e suas aplicações para a educação e intuir formas criativas em que ele poderia ser usado para melhorar a qualidade da educação e transformar os processos de aprendizagem.

 UNESCO reconhece a integração do celular à educação 

celularA UNESCO reconhece que a integração do celular à educação tem o potencial de romper paradigmas pedagógicos tradicionais. Os telefones móveis são diferentes das ferramentas tradicionais de educação, como livro, giz e lápis, porque permitem acesso instantâneo, têm espaço de armazenamento de dados, são informativos e compartilham o conhecimento entre indivíduos e grupos independentemente de tempo e da localização física. Por estas razões, aquele órgão está interessado no seu potencial para apoiar o ensino, aprendizagem e assim melhorar a educação como um todo.

Na ocasião da MLW (Mobile learning Week), a organização lançou um conjunto de diretrizes para políticas sobre mobile learning no período de 18 a 22 de fevereiro de 2013. Além disso, ela está executando quatro projetos-piloto para explorar como as tecnologias móveis (o celular, em particular) podem ser utilizados para apoiar e desenvolver a prática pedagógica dos professores no México, Paquistão, Nigéria e Senegal. Para executar esses projetos, a UNESCO encomendou cinco trabalhos que têm como objetivo examinar de que forma os celulares estão sendo usados atualmente, em perspectiva ampla, para o desenvolvimento do trabalho educacional do professor nos cinco continentes da Terra. Para a UNESCO, há duas áreas importantes a considerar: 1) desenvolvimento profissional, que deve instruir os professores a usar telefones celulares para melhorar o ensino e a aprendizagem, e 2) compreensão de como os celulares interagem com outras ferramentas e recursos educativos.

Integração do celular ou tablet à educação formal

144As condições essenciais e os desafios para projetos de iniciativas de m-learning foram discutidos na Mobile learning Week (2012). Dentre eles, destacamos os seguintes:

1-         A importância do mobile learning como um campo emergente com mais perguntas do que respostas;

2-         Inovações futuras devem girar em torno de pedagogias do m-leaning, pois a tecnologia está presente em nossas atividades diárias, e precisamos de pedagogias para realizar o seu potencial para a aprendizagem; os celulares já estão nas mãos de alunos e professores. Isto pode representar um custo menor do que equipar as escolas com computadores. Os telefones celulares devem ser vistos como uma oportunidade para melhorar a captação tecnológica existente;

3-         A importância de enfatizar o valor da aprendizagem sobre a tecnologia: a tecnologia existe para beneficiar a aprendizagem;

4-         O celular não é uma ferramenta neutra: usuários agem de maneira diferente com diferentes tecnologias;

5-         A realidade é que os celulares, em colaboração com outras ferramentas e tecnologias, podem ser direcionados para o segmento de novos paradigmas de ensino-aprendizagem;

6-         As fronteiras entre a aprendizagem formal e informal estão sendo apagadas. Mobile learning está criando mais espaço para a aprendizagem informal e desafiando a aprendizagem formal. Torna-se importante compreender como as fronteiras estão mudando e quais são suas implicações, bem como esclarecer nossas suposições sobre o aprendizado do século 21;

7-         Existem baixos níveis de iniciativas em mobile learning dentro da sala de aula, mas fora dos muros da escola são enormes e crescentes. Os telefones celulares estão mudando a vida das pessoas em muitos aspectos: comunicação, entretenimento, socialização, saúde. Mas a educação ainda está lutando para dar sentido a essa mudança;

8-         O primeiro passo crucial para a implementação de novas ideias é abrir as mentes de diretores, professores e pais. Esses atores precisam ser convencidos sobre o valor do m-learningna educação;

9-         O convencimento de professores nas mudanças de suas práticas para abrir espaço para m-learning é uma batalha difícil. Os professores terão de ver provas claras de que ensinar e aprender com os celulares é melhor (e talvez mais fácil) do que outras alternativas disponíveis;

10-       Os professores devem ser envolvidos na criação do currículo de conteúdo, e não simplesmente serem os consumidores dele. Como profissionais, os professores não são meros executores, mas eles têm direito de alterar currículo e inovar em sala de aula;

11-       Quando se trata de integração de tecnologias móveis no processo de aprendizagem, os alunos poderão ser mais avançados do que os seus professores. Este é um exemplo único, do qual o ensino-aprendizagem não pode ser facilmente dissociado. Os professores podem transformar-se em alunos e alunos em professores;

12-       Muitas informações são acessíveis em sala de aula com o celular conectado à internet  – e isso transforma o papel do professor de banco de conhecimento em facilitador da aprendizagem;

13-       Nem toda a aprendizagem está acontecendo em sala de aula, assim podemos reconhecer o valor da aprendizagem informal e, ao mesmo tempo, evitar o perigo de formalizá-la.

Segundo o relatório Mobile Learning Week (2012), a utilização pedagógica do celular para melhorara aprendizagem está repleta de desafios sociais, técnicos e econômicos. Talvez o principal desafio seja convencer as pessoas de que os telefones não são uma barreira para o aprendizado. Provavelmente a maioria das pessoas acreditam que telefones celulares, além de não serem propícios para a aprendizagem são, na verdade, a antítese desta.

Referências:

SANTOS COSTA. Mobile Learning: Explorando potencialidades com o uso do celular no ensino – aprendizagem de língua inglesa como língua estrangeira com alunos da escola pública, Tese. Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Federal de Pernambuco, 2013. Disponívelem: < http://www.giseldacosta.com/wordpress/publicacoes/>. Acesso em 30 junh 2013.

UNESCO – Mobile learning week. 2012. Disponível em:
<http://gbiportal.net/2012/01/27/unesco-mobile-learning-week-report-3-projects-for-policy-development/>. Acesso em: 5 jun 2012.